Convencemo-nos a limitar o nosso raciocínio, interpretando a realidade como uma relação dicotômica entre opostos, onde a lógica maniqueísta impera sobre a multiplicidade. Entenda multiplicidade como a representação da infinitude de variáveis que encontramos ao analisar um determinado acontecimento.
Como encontrar a lógica de um acontecimento se, muitas vezes, devemos adentrar no universo de um terceiro que participa diretamente deste acontecimento? Para isso precisaríamos supor que nosso sistema cognitivo é completamente capaz de captar a realidade, separando traços de uma possível realidade das nossas interpretações particulares desses sentidos. Precisaríamos ir além, separar a realidade não só das nossas interpretações, mas também das interpretações desse outrem, pois estas seriam tão falhas, impregnadas de “pré-conceitos”, quanto as nossas. Enxergar o mundo através dos olhos de outro?
Não é possível, pois o que conseguimos são apenas interpretações daquilo que obtemos através do nosso falho sistema cognitivo, que nada mais são do que a construção mental daquilo que julgamos existir, através de sensações obtidas pelas mudanças captadas por nosso sistema sensorial. Falhos...
Errante